Kaká Marinho: família que trabalha junto

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Como vocês já sabem, eu iniciei na profissão de cabeleireiro por meio do meu irmão, que já atuava na área.

Nós abrimos uma escola em sociedade, mas ele deixou o negócio depois de oito meses.

Então, eu tive que tocar a escola praticamente sozinho, com ajuda da minha ex-mulher, mãe das minhas duas filhas.

Na época, montei mais duas escolas. Mas quando nos divorciamos, como ela não quis tocar os dois empreendimentos, eu passei o negócio para outras pessoas e fiquei somente com a escola a qual eu tenho até hoje.

Há quase 25 anos, ela está nas minhas mãos. Com o tempo, as minhas filhas começaram a trabalhar comigo no negócio.

Filhas e esposas trabalham comigo no Studio Kaká

Há cerca de oito anos, a minha filha mais velha, Jéssica, estava para baixo. A área em que ela estava procurando emprego não estava lhe deixando satisfeita.

Então, eu propus que ela fosse para a escola comigo, me ajudar. Ela assumiu a parte de gestão da empresa. Mas com o tempo foi aprendendo outras coisas como cortar cabelo.

Atendia uma cliente aqui, outra cliente ali, e acabou pegando paixão pela coisa. Hoje ela é uma das instrutoras do Studio Kaká e atua em todas as áreas, mas nutre uma paixão especial por cabelo masculino.

Depois veio a Jeniffer. Ela estuda Engenharia da Produção, tem 26 anos. Quando teve bebê, há uns 3 anos, ela se incumbiu da administração da escola, tendo em vista que a Jéssica já era instrutora.

A Jeniffer produziu uma mudança radical na empresa. Mudou realmente a cara, fez muita coisa legal.

Mas aí ela também começou a ter uma tendência para a área de beleza. Começou a fazer sobrancelha, fez alguns cursos, e hoje se tornou-se uma baita de uma especialista em sobrancelha. Tanto em sobrancelha normal, quanto em sobrancelha definitiva.

O legal é que hoje ela fala: pai, eu só vou terminar a faculdade por terminar, porque eu não tenho paixão nenhuma para trabalhar na área de Engenharia de Produção.

Mas na área de sobrancelha, ela faz um curso atrás do outro. Especializações atrás de especializações. Ela se encontrou neste ramo.

Como eu tinha dito, eu me separei. Mas casei de novo, com a Marcela. Ela também é cabeleireira, está no sangue. Especializada em loiro. Trabalha comigo na escola e no salão. É meu braço direito.

A Marcela também trouxe um primo dela, que é o Contatinho. O nome dele é Anderson, mas a gente chama de Contatinho, que também trabalha com a gente.

Fora isso, eu tenho várias pessoas na família que trabalham na área. Eu tenho vários sobrinhos que são cabeleireiros, como o Lucas, que tem um salão bem legal na Praia do Canto.

O Marcos também, que está trabalhando em Portugal, o David… A família toda caminha para esse ramo.

Então, eu aviso logo: “Nasceu, criou, se não virar cabeleireiro a gente manda matar.

A relação familiar no ambiente de trabalho

A nossa relação é legal. Um defende o outro, um ajuda o outro. A gente não tem muitos problemas de conflitos.

Kaká Marinho e família (Foto: Deivid Barreto)

Cada um cuida de uma parte, cada um respeita a atribuição do outro. Vira e mexe tem alguns arranca-rabo, mas isso é normal.

Os prós e contra de trabalhar com a família

Eu acho legal porque a gente se vê todos os dias, estamos ali juntos. Eu consigo ver mais os meus netos. Vejo as minhas filhas praticamente todos os dias.

É só não levar as coisas para o lado particular. Mas o parentesco sempre pesa na hora de tomar uma decisão, sim.

O problema é que tem hora que você precisa dar uma bronca, falar alguma coisa, e acabamos levando para o lado pessoal, por ser da família, e não lado profissional.

Às vezes, você acha melhor não pegar pesado na hora de puxar a orelha, para quando chegar em casa não ter problema.

Mas isso nós conseguimos equilibrar atualmente dentro da empresa. Os problemas eram maiores no início, mas com a experiência tudo melhorou.

O legado de se fazer o que gosta

O meu sonho é que quando eu chegar a uma certa idade alguém dê continuidade ao trabalho que eu tenho realizado por tanto tempo.

Trabalho que começou com meu irmão, e que eu estou tocando por quase 25 anos.

Eu ficaria triste se, do nada, acontecesse alguma coisa comigo que me obrigasse a fechar o Studio Kaká.

Muitas vezes, eu vejo as pessoas dizendo: ah, eu quero que meu filho seja isso, que meu filho seja aquilo.

Eu quero que as minhas filhas sejam felizes. E eu vejo a felicidade delas trabalhando dentro do Studio Kaká. Elas têm prazer em dizer que trabalham ali.

É gratificante a gente ouvir isso dos filhos. Esse é um bom legado para passar, concorda?