Amizade, beleza, futebol e ação social: a combinação perfeita para Kaká Marinho

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A Revista Beleze traz uma inspiradora história, contada com exclusividade por Kaká Marinho. Uma história de superação, de alegria pela vida e de uma vida dedicada a ajudar o próximo.

Muito descontraído e receptivo Kaká se emociona ao dividir um pouco de sua história conosco, fala de sua profissão, família, projetos, de suas parcerias, de amigos que viraram sócios, unidos não pela profissão mas pelo futebol. Kaká admite amar o esporte e a possibilidade que o futebol tem de gerar novas amizades. Quer conhecer essa admirável história? Vem com a gente.

QUEM É KAKÁ MARINHO

Claudimar Domingues Marinho, mais conhecido como Kaká Marinho, é cabeleireiro há mais de 27 anos. Hoje, é dono de três bases de beleza: uma escola, um salão de beleza e uma barbearia. Desde cedo, a vida dele é batalhar para conquistar seus objetivos e ajudar ao próximo.

Kaká Marinho nasceu em São Paulo e foi criado em uma favela no município de Osasco, localizada na Região Metropolitana do estado paulista. Ele fazia parte de uma família muito pobre. Sua mãe, doméstica, saía para trabalhar às 4 horas da manhã, e muitas vezes ficava o dia inteiro sem comer nada para levar a própria marmita para alimentar os 7 filhos: seis meninos e uma menina. Sobre o pai, Kaká tem pouca referência.

Kaká precisou batalhar cedo para conseguir sobreviver. Começou catando ferro velho, depois foi trabalhar na feira, passou por uma quitanda e um supermercado, entregou panfletos, e se mudou para trabalhar na roça. Lá, colhia café, quebrava milho, capinava, entre outras coisas. “Quem nasce em favela em São Paulo tem duas opções: ou vira ladrão ou opta por ser honesto. Eu optei por ser honesto”, comenta Kaká.

Quando retornou a São Paulo, conseguiu um emprego como office boy. Subiu rápido na carreira e aos 19 anos de idade, Kaká ocupava o cargo de Gerente Administrativo em uma multinacional em São Paulo. Então, ele recebeu uma proposta de trabalho de uma grande empresa em Cuiabá, no estado de Mato Grosso. Atraído pela oferta de um salário razoável, decidiu aceitar e mudou de cidade em razão do novo trabalho.

A política nacional estava em ebulição: em uma tentativa de controlar a grande crise econômica que o Brasil enfrentava, o então presidente Fernando Collor de Mello determinou o confisco do dinheiro das contas bancárias. Com as finanças desfalcadas, a empresa não conseguiu mantê-lo no quadro de funcionários. Assim, ele se viu desempregado.

Sem opções, Kaká aceitou um emprego em uma oficina de peças em Cuiabá. A diferença no salário era gritante: ele passou a receber cerca de seis vezes menos. Apesar das condições desfavoráveis, Kaká não pensou em deixar de se agarrar à oportunidade por uma questão de sobrevivência. “Eu tinha duas filhas e não poderia deixar de levar alimento para casa”, explica.

COMO INICIOU A CARREIRA DE CABELEIREIRO

Ainda em Cuiabá recebeu a visita de um de seus irmãos que era cabeleireiro há mais de 35 anos e dono da escola ‘Estilos e Estéticas’, que existe até hoje em Cuiabá, seu irmão se assustou com a sua nova posição profissional.

Kaká explicou o motivo de sua vida ter mudado tanto. Então, recebeu uma proposta do irmão: administrar a escola que ele era proprietário em troca de 25% das ações do empreendimento. No novo cargo, começou a desenvolver pela primeira vez seu lado “cabeleireiro”. Quando chegavam clientes e não haviam alunos, seu irmão te ensinava algumas técnicas.

Nos eventos em que o irmão participava, Kaká, admirava-se com seu talento e refletia: será que um dia eu vou conseguir fazer a mesma coisa? Então, decidiu investir na carreira. Ele começou com cabelo masculino mas logo se estendeu aos femininos.

Ele e o irmão se tornaram sócios. Tempos mais tarde, entre idas e vindas de Estados (o irmão de Kaká veio para o Espírito Santo e Kaká voltou para São Paulo), voltaram a se encontrar no Espírito Santo, em Campo Grande, Cariacica. No bairro, abriram o Stúdio Kaká: Escola e Salão de Cabeleireiro.

Mas o foco do irmão de Kaká era outro. Então, decidiu vender sua parte na sociedade e abrir seu espaço na Praia do Canto, bairro nobre de Vitória. Porém mais tarde, foi trabalhar na TV Globo, lugar onde trabalhou em algumas produções. E em seguida, se mudou para Londres, capital do Reino Unido, onde mora até hoje.

“Eu devo a Deus em primeiro lugar, e depois a ele”, relata agradecido.

Kaká Marinho
Kaká Marinho realizando atendimento. (Foto: Deivid Barreto)

Kaká se formou na Escola da família, lugar em que trabalhou como instrutor. Depois, participou de diversos cursos, foi funcionário do Senac e fez Formação de Formadores pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).

DESAFIOS ENFRENTADOS x DIFERENCIAL PARA O SUCESSO

Os desafios foram vários. O principal deles foi a falta de informação. Não existia internet, não havia celular, as empresas vendiam produtos, mas não davam informação, não tinham nem treinamentos. Kaká lembra que precisava se desdobrar e pagar caro para conseguir realizar os cursos.

“Os desafios são vários, mas quando você trabalha e confia em Deus, o segredo do sucesso para você ter reconhecimento é aprender a ser elogiado pelas pessoas e não a se auto elogiar. O segredo é a humildade. Você precisa reconhecer que sempre precisa aprender. Evolua todos os dias e faça diferença no mercado”, aconselha.

Kaká Marinho

Hoje, Kaká Marinho possui três tipos de comércio: o Stúdio Kaká, que é a escola de cabeleireiro; o Kaká Hair, seu salão de beleza; e uma barbearia temática sobre futebol. O profissional atribui o sucesso, em primeiro lugar, a Deus. Depois, ao fato da empresa acompanhar as tendências. “Como eu viajava muito, sempre fui palestrante, já viajei o Brasil todo, até fora do país, toda semana eu trazia produtos novos, informações novas, e isso para chegar até outras escolas demorava mais um pouquinho”, conta Kaká.

O carisma e a humildade são outros dois pontos fundamentais para a evolução do seu negócio, aponta Kaká. Quando o cliente chega ao seu salão, não faz diferença se ele é pobre, rico, se veio da rua ou se é empresário.

O poder de transformar vidas é o que mais motiva Kaká na profissão. Nada como um sorriso de uma cliente. O profissional revela que já atendeu pessoas com quadros de depressão, que se olhavam no espelho com baixa autoestima, e pôde ajudar com o poder das palavras, do carinho e do profissionalismo transformador.

KAKÁ DAQUI PARA O FUTURO

Para o futuro, Kaká pretende manter a empresa enxuta e cada vez mais atualizada em razão de exigir a entrega de um ensino de qualidade. A conquista de novos parceiros de qualidade, que possam agregar, está na lista de seus objetivos. Ele cita como exemplo a Revista Beleze. “Só de vocês estarem vindo a nós é de um reconhecimento que a gente não tem palavra para expressar”, afirma.

Além do estrondoso sucesso na vida profissional, Kaká também é só felicidade na vida pessoal. Casado com Marcela Leppaus com quem tem a princesa Anne Caroline, de 11 meses de idade. Kaká também é pai das lindas, Jéssica, de 28 anos e Jeniffer, de 26 anos. Jéssica, tem uma filha de 9 anos, é uma das instrutoras do Studio Kaká. Jeniffer, tem um filho de 3 anos e espera um bebê, é maquiadora, trabalha com sobrancelhas, ministra cursos na área e cuida da parte administrativa da escola. Ele conta que tem prazer em voltar para casa e estar com toda a família.

Kaká ama trabalhar. Ele considera o trabalho algo gratificante, independente do que se faz. Mas na hora do descanso, um dos seus passatempos preferidos é o futebol. Palmeirense de coração, diz que admira os times do Espírito Santo, principalmente o Rio Branco e Desportiva.

NEGÓCIOS, BELEZA, AMIZADES E FUTEBOL: JUNTOS FORMAM “JKFC”

Nosso amigo Kaká Marinho diz que não deixa de bater uma bolinha, admite que o esporte proporciona o fortalecimento e o fomento de novas amizades. Além de proporcionar um momento de alegria e alto astral. Por isso, criou um grupo de amigos para jogar futebol regularmente. E uma de suas maiores decepções foi quando uma pessoa carente foi impedida de participar, isso o entristeceu e o fez tomar uma decisão.

Deixou o antigo grupo e criou um novo, em que qualquer pessoa poderia ir, independente da posição social. Para o projeto, ele contou com a parceria de um grande amigo, João Victor, que atualmente joga futebol profissional. Ele está no Vilavelhense e já passou pelo Rio Branco.

Kaká Marinho na companhia do amigo João Victor. (Foto: Deivid Barreto)

Batizaram o nome do time: JKFC – João e Kaká Futebol Clube. “Hoje nós temos tudo temático, nosso uniforme, tudo em relação ao futebol. E isso nasceu graças a uma grande amizade com um cara que eu gosto pra caramba”, explica.

A história de amizade entre os dois é inspiradora. Kaká conta que quando passou por uma situação complicada, João esteve sempre ao seu lado. “Todo dia ele ligava para mim ou saíamos, para um bate papo. Foi um cara muito importante na minha vida”, revela.

Este nome se ressignifica na barbearia, onde ambos também são sócios, João e Kaká Fino Corte. Kaká afirma que nunca pensou em participar de uma sociedade empresarial, mas quando João o sugeriu montar uma barbearia temática sobre futebol ele nem pensou em recusar.

BELEZA, FUTEBOL E AJUDA AO PRÓXIMO

Como o amigo joga futebol profissional, ele atualmente não joga mais com Kaká. Mas o cabeleireiro participa atualmente de três peladas: nas segundas, com o pessoal da Igreja Batista Betel; nas quintas, com os amigos; e aos sábados, no Ifes, em uma pelada que existe há 43 anos. “Minha alegria tá ali, quando jogo futebol e brinco, chego em casa cansado, mas feliz”, confessa.

Na pelada da Igreja Batista Betel, por exemplo, todos são aceitos. Basta colocar o nome na lista, independente da posição social.

Já na pelada do Ifes, existe um número limite de jogadores e precisam ter mais que 35 anos. Mas Kaká garante: a posição social não interfere em nada. Ele classifica o grupo como diferente de todos em que ele já jogou. Aos sábados, fecha religiosamente o salão às 13h para não perder o horário do jogo. E não adianta insistir.

“A pelada do Ifes é bem interessante, porque você vai ver desde médico, engenheiro, reitor do instituto, professores, empresários, à pessoas carentes da comunidade, que são tratadas da mesma forma”, assegura Kaká. Além de ser um grupo muito solidário, por exemplo: Recentemente, uma família que estava precisando de alimentos, recebeu ajuda dos participantes da pelada. “Essa é a parte legal da bola, da boa amizade. A gente tá aí pra ajudar um ao outro. A vida sozinha seria muito sem graça”, opina Kaká.

AÇÕES SOCIAIS E RECONHECIMENTOS

O Stúdio Kaká lidera as ações sociais em toda a comunidade da qual faz parte. Desde os primórdios da empresa, sempre teve essa filosofia e nunca abandonou nestes 27 anos de funcionamento. Hoje, ela tem uma base na APAE de Cariacica e Marcílio de Noronha. “Os meninos da APAE vem aqui na nossa escola e nós não cobramos nada”, comenta Kaká.

Kaká Marinho posa durante atendimento. “Somos todos iguais”, frisa sempre ele.
(Foto: Deivid Barreto)

A escola reserva vagas todos os anos, cotas exclusivas para pessoas carentes aprenderem a profissão, que embora não possuam condições, sonham em se tornar profissionais da beleza.

Kaká Marinho é muito reconhecido. Mas ele não gosta de falar de premiações e homenagens. Lembra que não é melhor que ninguém.

“A melhor premiação que a gente tem, é o reconhecimento do público, do cliente que veio aqui e ficou satisfeito, daquele gari ou daquele menino que mora na rua que vem aqui cortar cabelo, daquele médico, daquele doutor… independente de quem seja, que fique feliz com nosso trabalho. É a melhor premiação que um profissional pode ter”, garante.

Kaká Marinho

Se você deseja se tornar um cabeleireiro, conheça o Studio KK. Agende uma visita.

Você vai se maravilhar na pessoa incrível que é esse cara! E para quem deseja deixar alguma mensagem, pergunta, sugestão, fique à vontade para escrever nos comentários.