A Revista Beleze cobriu o Carnaval Vitória 2020 e divide com você o que viu na avenida

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Que foi uma super emoção e uma experiência fantástica para nós, da Revista Beleze, ter participado do Carnaval Vitória como imprensa, nem é preciso dizer, mas queremos te contar nossa impressão como bons admiradores do carnaval e é claro, sob a ótica da beleza, saúde, bem estar e moda.

Imagem: Arjuna Melo

Para além da beleza dos carros alegóricos, fantasias e maquiagens que, sem dúvidas, atraem todos os olhares e surpreendem a cada ano, o que mais chamou atenção nos desfiles das escolas de samba de Vitória foi a união das agremiações. A forma com que eles lutam e correm atrás para que tudo dê certo.

Claro que algumas escolas se destacaram mais em alguns quesitos, outras em outros, porém todas estavam muito bonitas. Todas se dedicaram muito para fazer acontecer aquele momento, e superaram as expectativas do público.

Religião, cultura, história e música marcaram o desfile das escolas de samba de Vitória

Com enredos maravilhosos, carros prontos, alas organizadas, bateria ditando o ritmo, samba na boca, samba no pé, tudo ensaiado e repassado durante quase um ano para 62 minutos de avenida. Foi pouco tempo para muita beleza.

Não é porque a escola foi melhor ou pior, mas por uma questão de tempo ou de falha técnica, ela perde ponto. É bom frisar isso pois muitas escolas ficaram em cima do tempo para finalizar. A angústia era bastante notável. Mas era neste momento que eles ficavam mais unidos e concentrados.

A organização das escolas é muito louca. Toda ala tem uma pessoa diferente para coordenar, guiar, indicar o momento de andar, de parar. E quando o tempo estava muito próximo para acabar, o desespero era real nas escolas.

“Vamo, vamo, vamo terminar esse negócio!”, era o que a gente ouvia. E todo mundo colaborava para finalizar o desfile no menor tempo possível, mesmo que estourado, mas que o prejuízo não fosse tão grande.

Afinal, eles passam o ano todo se preparando para o carnaval, acabou este e eles já estão se preparando para o próximo ano. Então, pensar em sofrer desclassificação ou perder ponto pois o tempo esgotou parece ser o que mais dói neles.

Da concentração a dispersão

Na concentração e na dispersão é correria o tempo todo, entre participantes do desfile o pessoal da harmonia das escolas, carros, plumas, brilho, câmeras, luz, entrevistas, fotos e muita alegria.

Nos marcou muito ver como a galera da comunicação se ajuda, tudo para desenvolver um ótimo conteúdo para você. Na avenida e nos bastidores dela, não há um melhor do que o outro: Blog, canal no Youtube ou a televisão que estava transmitindo oficialmente o desfile: todos eram iguais.

No final das contas, todo mundo se fala, conversa, dá dica, responde as dúvidas. O carnaval é união, tanto dentro da avenida quanto fora.

O que captamos do desfile é que há uma entrega total das escolas. Nas entrevistas que fizemos na concentração foi possível constatar isso. Eles estavam muito centrados em produzir um trabalho da forma mais perfeita possível.

Na concentração também os participantes revelam um certo medo, um nervosismo, o que é comum na vida de todo artista no momento da apresentação. Sem o sentimento de friozinho na barriga não tem graça, não é mesmo?

Já depois que eles passavam a avenida, o discurso era outro, vinha a sensação de dever cumprido deles, apesar de todos os pesares, de possíveis falhas ou tempo esgotado. Eles sentiam que cumpriram aquela etapa e olhavam para frente. E já comemoravam por isso, sempre muito unidos.

As escolas que mais nos marcaram

PIEDADE

A Piedade, como sempre, fez um desfile muito bonito. É uma escola bastante conhecida, forte, com influência na Grande Vitória em geral e neste ano falaram sobre religião.

A comissão de frente da Piedade coreografada por Paulo Balbino, tinha somente mulheres. Estava muito bem estruturada. Mas o que mais marcou sua passagem na avenida sob a nossa impressão sem dúvidas foi a bateria e sua conexão com toda escola. A escola foi com uma força e com um amor muito forte para a avenida.

UNIDOS DE JUCUTUQUARA

A agremiação foi para a avenida com o tema “Griot”. As fantasias foram o grande destaque do desfile. Lindas demais, com pegada afro. A que mais chamou atenção foi a do mestre-sala e da porta-bandeira, que representavam a nova geração.

O mestre de cerimônias, que vinha logo à frente deles, representando a antiga geração, tinha uma fantasia sem condições de linda! Ele estava de deus africano. Incrível!

Imagem: Arjuna Melo

A comissão de frente também estava muito bem-feita e surpreendente. Havia um momento em que eles apertavam um extintor de incêndio e causavam um efeito de fumaça. Desfile impecável.

MUG

O grande destaque do desfile da MUG ficou com a comissão de frente. Eram simples as fantasias, pois retratavam índios, mas muito bem coreografada por Marcelo Lages e tinha um teatral muito bonito.

A comissão de frente retratou a representatividade de poder do homem branco sobre os índios explicando o porque do canibalismo, a fome de engrandecer-se.

Logo atrás da comissão de frente, havia um tripé suntuoso de um índio enorme em movimento. Os carros da escola deram grandiosidade ao desfile.

Imagem: Arjuna Melo

Mas a escola toda estava de brilhar os olhos. Fantasias maravilhosas. Cito como exemplo as de dois passistas da escola. Uma fantasia roxa, riquíssima de detalhes, com o incremente de lentes brancas e maquiagem muito bem-feita. Sensacional. Há quem diga que as fantasias deixaram a desejar, mas não tivemos tal impressão.

BOA VISTA

A detentora do título em 2019 levou os ícones da música capixaba para a avenida em um desfile bonito e muitíssimo alegre. Sem dúvidas, Boa Vista e MUG foram as escolas que deixaram todos na arquibancada mais agitados.

A Boa Vista foi com um peso, uma energia maior, em razão de terem sido campeões no ano passado. Todo mundo se entregou ao samba-enredo, dançou, cantou, se jogou na avenida.

A agremiação acertou em cheio ao colocar o pequeno Jeremias Reis, vencedor do The Voice Kids, na comissão de frente, uma vez que seu enredo trouxe a música capixaba para a avenida, onde cada uma das cores das fantasias significava uma nota musical.

O que mais atraiu e foi bonito de ver foi a presença de músicos e artistas capixabas, em sintonia com samba no pé. Artistas de todos os gêneros musicais foram homenageados: do reggae, do rap, do funk, do samba, do forró.

A sensação é que, apesar da preocupação em levar o troféu para casa, todos estavam aproveitando aquele momento e se divertindo, principalmente os artistas que estavam compondo os carros alegóricos e as alas. Eles estavam felizes pela homenagem e brincando, acima de tudo.

Roberto Carlos, ícone da música nacional e capixaba, foi homenageado em um carro, onde havia um cover seu e o famoso calhambeque. Um dos carros trazia Alemão do forró. Na avenida também tinham grandes personalidades capixabas.

Imagem: Arjuna Melo

O título

Todas as escolas estavam confiantes na qualidade do desfile. E com razão. Elas fizeram um trabalho lindo, ou como disse o presidente da MUG, Robertiho “um carnaval nível Rio”, e com pouca verba.

Dizem por aí que entre a Boa Vista e a MUG existe uma “rixa”, saudável é claro, de concorrentes de avenida, este ano uma queria manter o título e a outra voltar ao topo.

E durante o desfile, nossa percepção foi que a Boa Vista e MUG estariam no páreo para conquistar o prêmio. As duas se destacaram muito, talvez pela autoconfiança e pela vontade total de fazer o melhor para ganhar, mas também para fazer bonito para aqueles que admiram as escolas.

Boa vista conquistou o título

O resultado saiu na tarde desta quarta-feira (19): a Boa Vista se tornou bicampeã do carnaval capixaba. A agremiação manteve a liderança durante todo o processo de apuração. Não perdeu ponto por punições técnicas, o que permitiu que saísse na frente.

A vice-campeã, como imaginávamos, foi a MUG, seguida pela Unidos de Jucutuquara. Um resultado justo.

O que você achou do resultado?

Relatos da Jornalista Bruna Suellen | Texto de Carlos Lancelotti | Direção de edição, Mirella Ottoni.